A prestação média mensal dos empréstimos para habitação própria permanente chegou a 446 euros em agosto de 2026. O valor refere-se aos empréstimos em curso abrangidos pela série do Banco de Portugal; não é uma prestação proposta a quem compra casa agora.
A notícia estatística foi divulgada em 1 de outubro de 2026. O período observado é agosto de 2026 e a verificação editorial ocorreu em 2 de outubro.
Que contratos entram nesta média?
A série do BPstat abrange empréstimos concedidos por bancos para aquisição ou construção de habitação própria permanente a particulares residentes na área do euro. Nesta classificação, particulares inclui famílias e instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias. Em julho, o indicador estava nos 441 euros.
O conjunto de empréstimos em curso inclui contratos com diferentes montantes, prazos e condições. Não se deve confundir esta média com a dos contratos acabados de celebrar, nem usá-la como uma mensalidade que o mercado oferece a todos.
Porque subiu?
O Banco de Portugal associa o aumento às prestações dos contratos existentes e à entrada de novos contratos com prestações superiores. A média pode, portanto, mudar pela evolução dos contratos e pela composição do conjunto observado.
Imagine, como exemplo apenas explicativo, que entram num grupo empréstimos com mensalidades superiores. A média desse grupo pode aumentar sem que todos os contratos anteriores tenham uma subida igual. Este exemplo não procura reproduzir o cálculo estatístico.
Porque não são os 418 euros do INE?
O INE divulgou uma prestação média de 418 euros para agosto nas estatísticas de taxas de juro implícitas no crédito à habitação. Essa publicação e a série do Banco de Portugal aqui analisada não devem ser tratadas como uma única série: é necessário respeitar o universo e a metodologia de cada operação estatística.
Os 446 euros não corrigem os 418 euros nem significam que houve uma subida entre duas datas de divulgação. Ambos os resultados se referem a agosto. O nosso artigo sobre a taxa implícita do INE apresenta o outro indicador.
O que isto significa para quem tem ou procura crédito
Uma média não determina a próxima cobrança do banco. O manual do simulador oficial explica que capital em dívida, prazo restante e taxa de juro influenciam a prestação. Para compreender uma revisão, a informação relevante está no contrato e nas comunicações da instituição.
Quem está a comprar também precisa de distinguir mensalidade e orçamento total: entrada, despesas da compra e encargos recorrentes são parcelas diferentes. A comparação com uma média nacional não permite concluir que uma proposta seja adequada ou que o financiamento será aprovado.
O simulador do Banco de Portugal permite explorar cenários gerais, mas não substitui os cálculos da instituição. Para perceber o mecanismo de revisão, leia Euribor: quando muda a prestação.
Imagem de capa: ilustração gerada por IA, sem representar um imóvel, documento, pessoa ou acontecimento real.